Sem estudar e sem trabalhar, os ‘nem-nem’ reduzem o “crescimento potencial” das nações, que dependem da renovação de mão de obra para se desenvolver

Países emergentes têm o dobro de jovens entre 15 e 24 anos que nem estudam nem trabalham quando comparados a nações desenvolvidas. Relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostra que 20% (duas em cada 10) das pessoas nessa faixa etária estão fora da escola e do mercado de trabalho. De acordo com o órgão, o quadro tem efeito perverso, pois proporciona redução do crescimento potencial e aumento dos conflitos sociais nesses países.

Geralmente, as economias emergentes aceleram o desenvolvimento por meio da entrada de novas pessoas no mercado de trabalho. Se não houver uma boa utilização dessa força de trabalho, não há tanto sucesso no avanço econômico dos países. “A perda potencial implícita para a economia é agravada pela demografia — cerca de um terço da população em idade ativa nos mercados emergentes e nas economias em desenvolvimento é composta por uma população jovem, quase o dobro da participação observada nas economias avançadas”, explica o relatório.

Bruno Bezerra, 24 anos, é um dos jovens que se encontra na situação “nem-nem”. Formado em engenharia química há um ano, ele busca emprego e diz que o mercado não o favorece. Para sobreviver, recebe ajuda da mãe. “O mercado não está bom. A maioria dos meus colegas estão na mesma situação. Por enquanto, minha mãe me ajuda financeiramente”, disse.

Conforme o economista Carlos Alberto Ramos, essa dificuldade de ingressar no mercado de trabalho é um dos maiores motivos de os jovens estarem parados. Como consequência disso, a falta de trabalho e de estudo compromete o futuro da economia. Se não há rendimento agora, não há o que se produzir para o futuro. “Não trabalhando agora, não há aquisição de conhecimento para utilizar mais tarde. Isso compromete o futuro da economia.”, disse.

Outra explicação para o fraco mercado de trabalho para os jovens é a grande diferença de condições entre gêneros. Segundo o FMI, em países que estão se desenvolvendo, 30% das mulheres não trabalham e não estudam, enquanto o número de homens jovens na mesma posição é de 15%. Para o órgão, essa grande diferença se explica pela consequência econômica de ter filhos.

Segundo o FMI, a solução para o problema seriam políticas públicas. Melhorias na educação, incentivo ao empreendedorismo e  adoção de medidas que tragam a igualdade entre gêneros. Para Maria Clara Garcia, 19, se ocupar aumenta a dignidade. A jovem ficou parada por seis meses para se preparar  para um voluntariado e sentiu falta de fazer alguma coisa. “O trabalho torna a vida digna e não ter isso foi difícil”, disse.

Para minimizar a questão, o Fundo sugere a desregulamentação do mercado de trabalho para aumentar a contratação de jovens. De acordo com o relatório, diminuir as indenizações por demissões e estabelecer um salário mínimo não muito alto em relação ao salário médio da economia aumentam as taxas de emprego entre jovens fora da escola.

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2019/01/25/internas_economia,732830/jovens-que-estao-fora-mercado-de-trabalho-e-da-escola-travam-economia.shtml