Pesquisa do Banco Mundial elenca países em que mulheres ainda são proibidas por lei de designar tarefas

A distinção de gênero tem sofrido mudanças sutis, principalmente no mundo do trabalho. Corporações já reconhecem que devem equiparar salários e dividir proporcionalmente o número de cargos entre homens e mulheres. No entanto, em alguns países a realidade ainda é bem diferente. Em uma pesquisa feita pelo Banco Mundial e disponibilizada pelo The Economist, foram separadas algumas leis em diferentes culturas.

Mulheres vietnamitas são proibidas de dirigir máquinas e tratores com potência igual ou superior a 50 cavalos desde 2013. Na Argentina, são proibidas por lei de destilar ou comercializar bebidas alcoólicas. Na Espanha, a permissão para mulheres trabalharem nas áreas de mineração, eletricidade construção só surgiu em 1995. Em Bangladesh, na Índia, a proibição é de trabalhar debaixo da água. Ao todo, 104 países possuem ao menos uma lei que restringe a atuação da mulher em algum tipo de tarefa.

Em 18 destes 104 países, homens podem proibir suas esposas de realizar determinada tarefa caso achem necessário. Em quatro, mulheres não podem registrar um negócio próprio em seu nome.

Países superpopulosos também possuem leis trabalhistas de separação de gênero. A China, por exemplo, instituiu uma lei um tanto quanto curiosa: mulheres são proibidas de manusear água fria durante o período menstrual. Em algumas regiões de baixa natalidade, as restrições estão relacionadas a atividades que podem prejudicar a capacidade de gerar filhos, como manipulação de produtos agrícolas, fertilizantes e agrotóxicos. É o caso de países como Belarus – ou Bielorrússia – que faz fronteira com a Rússia.

A Rússia, por sua vez, é recordista na quantidade de embargos: são 456 no total. Entre eles, está o direito de dirigir trens ou navios. Vale lembrar que o país rejeitou em 2018, uma lei que estabelecia as bases para igualdade de gênero.

O levantamento também conclui que quase 3 bilhões de mulheres no mundo não possuem as mesma oportunidades empregatícias que os homens.

Sarah Iqbal, coordenadora de mulheres, negócios e dinheiro do Banco Mundial, destaca que simultaneamente a isso, muitos países têm criado espaço para debate e extinção das leis de gênero, seja devido ao avanço tecnológico que permite uma menor força bruta, ou pela escassez de mão-de obra devido ao êxodo da população masculina para outras tarefas e/ou outros países.

Apesar do lento progresso em relação à abertura da participação da mulher em todas as profissões, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) ressalta que as proibições estão “cada vez mais obsoletas”, até mesmo quando apoiam-se na justificativa de serem restrições aplicadas apenas a gestantes e lactantes.

Fonte: https://epocanegocios.globo.com/Mundo/noticia/2019/02/genero-e-fator-decisivo-na-divisao-de-tarefas-e-areas-de-trabalho-em-104-paises.html